Matizes da Nossa Coroa

Quando negros africanos escravizados eram obrigados a dar várias voltas no “Baobá”, visto como a árvore do esquecimento, deixando ali sua memória, origens, história e crenças, assim, legitimando o verdadeiro intuito do colonizador em romper as raízes de um povo que tem como princípio a valorização dos seus ancestrais.

Os Orixás correspondem aos pontos de forças da natureza e suas manifestações e cada divindade tem sua representatividade simbólica, como a dança, os ritmos, os códigos e cores, criando um vínculo espiritual entre o Orun (Céu) e Aié (terra).

 

A vida vem de muito longe, incontáveis gerações nos antecederam, no nosso corpo físico há a presença de todas as forças que se acumularam durante séculos, são heranças incrustadas na nossa coroa, que na cultura Ioruba representa nossa proteção divina e viemos com ela, escolhemos antes de nascer. Acredito que nos tornar conscientes da nossa ancestralidade e das forças que nos acompanha faz criar um sentido maior com a nossa natureza, cria um fio vital conectada com o mundo e o universo, que reforça nossa essência e o poder a todos os nossos guias.

A série “Matizes da nossa coroa” é uma manifestação íntima do meu inconsciente, do campo espiritual, uma chamada para nossa coroa divina. As cores são irradiações, me apropriei delas e as transmutei no campo físico, quis aqui transbordar os matizes da ancestralidade dos orixás, criando uma sintonia com a força universal, com os elementos naturais e com o Axé (divina energia). Das formas transmiti a personalidade, os gestos e a musicalidade que as divindades possui, nas linhas quis conduzir a uma unificação dos campos de atuação, espelhando seu poder, hierarquia e os seus domínios como pontos de equilíbrio e união.